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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

"Emprego x Família "

''Você me ama? Vou passar camisas.'' A frase parece ter saído da boca de uma dona de casa de antigamente, daquelas que esquentavam a barriga no fogão e a esfriavam no tanque, trajando penhoar e chinelos. Parece, mas não saiu. Surgiu na verdade de uma carinhosa troca de e-mails entre Maria Carolina Piovesan, 29, e seu marido, o advogado Ernesto Piovesan, 32. Carolina, assim como as outras entrevistadas desta reportagem, já trabalhou fora, mas optou por largar a carreira para cuidar dos filhos - no caso dela, Gabriel, de 2 anos e 5 meses.
Formada em direito, ela foi sócia do marido em um escritório de advocacia por um ano e abdicou do trabalho há três. Ficou mal por abrir mão da sociedade, mas não se arrepende. ''Na época eu não tinha escolha, porque engravidei, casei e montei apartamento ao mesmo tempo'', conta. ''Como detesto a ideia de que o meu filho seja criado por uma babá, não tenho planos de voltar a trabalhar tão cedo.''
Carolina gosta de deixar bem passadas as camisas do marido e de fazer pratos sofisticados para ele. Concorda até em ser chamada de dona de casa, mas de Amélia, jamais. O termo ficou famoso como sinônimo de ''mulher do lar'' por causa do samba
Ai, que Saudades da Amélia, de Mário Lago e Ataulfo Alves. Lançada em 1941, a música ressaltava as virtudes de uma Amélia que se dedicava de corpo e alma ao bem-estar do marido - o refrão dizia que ''Amélia não tinha a menor vaidade, Amélia é que era mulher de verdade''.
Os motivos para a nova geração de donas de casa rejeitarem com tanta veemência esse estereótipo é óbvio. Em primeiro lugar, elas são vaidosas, sim, e muito. E abandonaram a vida profissional não por falta de opção ou por pressão do marido - foi escolha pessoal. ''As mulheres aprenderam a escolher o que lhes traz felicidade, mesmo que isso implique em assumir papéis considerados mais tradicionais'', diz a antropóloga Mirian Goldenberg, especialista em questões de gênero e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). ''Elas perceberam que causa um estresse danado tentar provar perfeição o tempo todo em todos os domínios da vida. A guerra entre os sexos já não é ferrenha como no passado. Ela fazia sentido naquele momento de afirmação de direitos e busca de igualdade, mas isso passou. Os homens deixaram de ser vistos como inimigos.''

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